segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Vida


É na permissão da renovação que reside nossa identidade, é na entrega a própria vida que atuamos em sintonia com nosso mais profundo eu.É na desconstrução diária, nas mãos vazias para tocar, no nada para preencher,na fragilidade para fortalecer... é entre o eu e o você que reside o essencial.Nos reinventamos a cada instante,e mesmo assim jamais estaremos pronto, a idéia de estar preparado para algo se encerra no movimento, e o resto é o tudo e o nada, mesclados na nossa intima
capacidade de crer.Enquanto as ondas passam e insistimos contemplar o horizonte, enxergando-o com os olhos de quem
 vê, podemos ser tachados de loucos.A perspectiva de se olhar alem das engrenagens fixas de nosso cotidiano,requer trabalho
diário e fé.Sozinhos ou acompanhados o exercício do ver é único e sua concretização depende de nossa capacidade de escolha.E o tempo da escolha,é o tempo de se ousar perder.É onde a dor ganha contorno na encruzilhada da vida e o sofrimento se dissipa face a nosso movimento.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


O pulsar sem fim do mediar

A existencia no tempo da descoberta
A existencia no tempo do movimento
A existencia no tempo da consciencia

Dos mundos em mim
Pela voz se traduz a escolha
E pelos silencios na multidão
As respostas ganham contorno
Nas estradas que percorro

Não ha vestigios
Só memorias vãs
na ausencia do palpavel

Efemero,
em seu tempo inconsciente
Eterno,
em sua profundidade atemporal.

domingo, 28 de novembro de 2010

Seguir

Despretensiosamente...
A leveza necessária pra seguir

Despindo-se das varias faces
Sustento da sobrevivência comum
E das bagagens que dificultam nosso caminhar.

Tempo,imaterial grandeza
Palpável nas memórias e vivências

Como sintonizar-se em seu ritmo imprevisível?
E contemplar sua beleza sem lógica?

Se entregando na vertical vida dos não porquês
E sentindo o pulsar do agora sem medo
Como um movimento com voz e melodia
No entardecer de nossas vidas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Obrigada



Como atravessar o vivido
nas esferas do ausente
e pelos cheiros da memória
Prosseguir só.

Como entrar em contato com a dor
Se esta mescla vida e morte
Na indivisível incompreensão da entrega

Pelas poesias do caminho
Ninho
Pela aridez da paisagem
Chão
Pela docura do eterno
Nós

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Crônica_Just Friends_Filme 2005



Otima indicacao,
vale a pena ver...

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Just Friends

Excelente filme!!!!!!
Nos remete a uma atmosfera familiar,onde a fidelidade aos detalhes da epoca sao incriveis...fitas cassete gravadas,formaturas, fotos de papel e principalmente a possibilidade de comunicacao e relacao em um lugar comum diferente da web...A rua, a praca, ou o proprio quarto, criando uma atmosfera solida e anti-cibernetica.Mais confortavel e aconchegante. Recria o cotidiano do adolescente dos anos 90 e nos seduz com a simplicidade e a poesia dos mais corriqueiros habitos juvenis.Impossivel nao nos identificar!

Tem um poema do escritor Helio Pelegrino, que fala sobre algo que 'e bem explorado nesse filme, a relacao...pra Pelegrino uma das maiores grandezas de nossa existência reside no contato com o outro, a possibilidade de estabelecer esse contato, a possibilidade de se atrever a desvendar e decifrar a linguagem do outro e atraves do outro encontrar-se a si ,nosso universo particular, num exercicio diario de dialogo e de convivencia.E 'e atraves da convivencia de Chris e Jamie que o filme nos tranporta a essas questoes.Mas como entrar em terreno estranho sem a comunicação? Como se relacionar sem voz? E como estabelecer uma comunicação sem conflito,sem expor seus mais verdadeiros pensamentos ou impulsos, e mesmo assim manter uma convivencia harmoniosa?

Chris nessa promessa de convivencia, 'e remetido ao resgate de uma afetividade jamais vivenciada, a pureza de um sentimento limpo de interesses , confuso em sua grandeza, assustador em suas possibilidades,onde o consciente e o inconsciente somente buscavam uma so coisa, mante-la perto, por muito e muito tempo...E com medo dos riscos, com medo de sair de uma zona de conforto estavel,a amizade, que Cris prefere o silencio e nao se atreve a percorrer o que poderia ter sido um caminho diferente e muito mais coerente com o desenvolvimento de sua personalidade.

A GRANDEZA de Jamie em sua vida, gera o pior dos medos,o medo que paraliza,omedo que gera a fuga, a fuga de si mesmo.E a perda de algo que nao se tinha, de algo que nao se estabelecera, de algo que ficara em vestigios de memoria.A inseguranca da imaturidade, das pressoes sociais e da falta de autoconhecimento,onde valores comecam a serem esbocados e questionados...sao fatores que contribuem fortemente para sua fuga.

Porem,a vida, principalmente a possibilidade do contato com o outro passa pelo ponderavel e o imponderavel, encontros e desencontros , embora seja importante sermos agentes de nossa vida e trilharmos como autores de nossa propria vida um caminho sob nossa identidade , mesmo com as
dificuldades ...Os encontros e desencontros não dependem totalmente de nossa vontade...eles sao parte do inexplicavel...do acaso, da vontade divina e de
algo muito alem de nossa capacidade de interpreta-los...E sao nessas estradas da vida que Cris tem a possibilidade de retornar.Resgatando a si, num caledoscopio adormecido de vivencias...

Durante todo esse tempo, distante de si , Cris percebe-se construido e nao coerente, abastado e nao feliz, forte e nao sensivel...Pesa posicionamentos, reve-se na turbulhencia historica de sua propria vida, onde a palavra sentido ganha forca ...Acho que a maior identificação com Chris há justamente pelo temor a perda...ficando na zona de inercia, onde infelizmente nao há garantias para que nao nos machuquemos...e a vida nos mostra que o medo da dor gera a propria dor...

A dor é parte da vida, na entrega e na perda , na escolha e na nao escolha, no caminho e na fuga...E com folego Cris enxerga que a coragem e a ação mesmo na presenca do medo e nao na sua ausencia.E e com coragem que Cris possibilita a algo que seria inevitavel impedir...o desenrolar das engrenagens da vida...

Mas o dialogo, nem sempre é harmonioso, muito pelo contrário, a essencia de comunicar-se reside em primeiramente permitir-se conflitar e atrever-se a entrar em conflito nem sempre e algo que nos mova.A coragem 'e possibilidade de acao na presenca do medo e nao a sua ausencia.A voz vence o medo de perder aquilo que nunca se teve, a ilusoria zona de conforto e o entusiasmo não o impedem de seguir pra o inevitavel e temido encontro.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Futuro do Futuro

Pela pulsação do momento perdido
Como caminhar pelas origens
Que insistem no convite a seguir?

Pela pluralidade das vivencias
Convivências desvendando jardins
Secretos,perdidos escondidos

Pelas frestas do respirar
O rarefeito.
Feito de chuva
Nuvens de algodão
E moinhos de arte

Ora cabendo numa nota de vida
Ora se desfazendo por ai....

Cor


O vir a ser do amanhecer
Velado e guardado com o preciosismo
De uma descrença melancólica
Se põem no tear do dia de hoje...

Como atravessar o não vivido
E se despir do que não se foi?

A inexistência nos trai no tom
De uma melodia sem memória.
A imaginação compõe a cena
E a poeira corrói o futuro.
Perfumes e fitas coloridas
Confundem o ambiente
Me despeço de um mundo
Comum a todos que pulsam

Na margem dos que não foram
Es o mais belo poema incompleto
Sem fim pela incerteza de ser real.

E pelas frestas da realidade perdida
Já e amanha agora, e não me vejo aqui.