sábado, 6 de agosto de 2016

Começar e ousar ocupar o vazio com a intensidade de nascer canção .Cancao que preenche alma na inquietude de saber limite.Na busca de entender-se enigma que se desdobra em poemas,arabescos e sons....Corte preciso que flutua na imensidão de ser outro.Outro lugar,outra manhã.Manhã  que aquece promessa de reinventar no dia a dia da poesia perdida.Que media as intermináveis camadas do nós enquadradas no eu.Que se entusiasma na promessa do entardecer sonho.Que move história  no convite de debruçar criação e inventar vida.

sábado, 30 de julho de 2016

Alma

As minhas mãos estão vazias e meu coração derrama.Pelo gesto na hora errada,pela palavra não dita, pelo silêncio compartilhado no medo.Medo que paralisa e inutilmente tenta conter o tempo prolongando o estado de pertencer ao tudo e ao nada no infinito adormecido do nós.Pela incomunicabilidade na tentativa frustada de ousar ser voz ,na delicadeza de ser pequeno, na tentativa de ser doce,na fragilidade de ser afeto.No enigma de ser quietude, na grandeza de ser compreensão, na dor de ser morte.Mas é preciso ousar movimentar -se na coragem de ser concreto,na força de transpor o sim e o não na poesia de verbo inteiro.E preciso alargar-se nos limites do corpo,que por ora é alma frágil na tentativa de tocar o céu do seu eu e o grave de suas sombras que te prendem nos caminhos de sempre.É preciso ser voz que fala.É preciso ser corpo que ocupa com a leveza do existir sonho.É preciso ser alma que perturba. É preciso ser vivo que grita na utopia de ser verdade .

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Amar,verbo infinito



Conforme disse o poeta nascemos para o encontro com o outro,amando e respeitando na sua simples existência.E permitir essa existência é permitir que o outro seja diferente, da mesma matéria ou completamente estranho. É a premissa de entendermos que quanto mais for o que queres mais sera o que queria,disse a poesia ao longe.É esforçar-se cotidianamente para decifrar esse enigma que nos faz mover  e ouvir .E ao ouvir encontra-lo em cores vibrantes,expansão do presente e músicas que não tem fim.É quando no encontro de dois universos a linguagem se rende a cumplicidade do silencio. É debruçar no renascimento diário de sermos outros, na precisão de ousarmos ser verdade.Somente sendo verdade, estaremos na prontidão dos encontros conosco e com o outro.E entender-se tempo diferente e alegrar-se quando respiramos no mesmo ritmo.É entender-se mais poesia e menos prosa. É conflito na medida de sermos construção. Entrega na dor de estarmos vivos.Amor no entendimento de ser recomeco sempre.É alegria na intensidade de sermos vida.

Somos artistas,sim!

Assumir-se artista é ser força sensível num mundo embrutecido por roteiros pobres de existência. É ousar sair do território estatístico de certezas e aventurar-se na reinvenção de ser verdade. É contribuir imaterialmente com a construção de tudo,tudo,tudo que compõe o real.É tocar o outro num contexto de incomunicabilidade naturalizado.E a dádiva de ser vida, possibilidade de ser humano,condição de ser inteiro.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Alice Através do Espelho



"Chapeleiro:Você acredita em mim?
Alice:Eu sempre acreditei em você.
Chapeleiro:...e eu a encontraria em qualquer lugar."

Alice através do espelho mostra Alice retornando a sua cidade após uma aventura de três anos como capitã do navio de seu falecido pai e encontrando resistências para dar continuidade as suas atividades.Alice novamente é convidada a entrar no mundo lúdico pela lagarta azul e se depara com todos os personagens do primeiro filme.O conflito nesse filme gira em torno da missão que é atribuída a Alice:salvar o Chapeleiro.É justamente nesse momento que somos convidados a vivenciar  uma aventura cheia de símbolos e significados relativos a identidade,memória,fé,relações,existência e dialogo com o tempo.Alice diante da dificuldade, novamente submerge a lugares desconhecidos e se depara com o tempo.Tempo que liga com suas engrenagens cíclicas e fios invisíveis todos os personagens da historia.Tempo que revisitado não se altera mas abre a um dialogo que na  reinvenção nos coloca diante do milagre de sermos agentes de nossas vidas.O espaço é infinito e a originalidade ocupa a existência com a coragem de Alice. O afeto presente na relação de Alice e Chapeleiro é o motor de toda transformação na trajetória de ambos.Sem sombra de duvida um dos filmes mais lindos que ja vi...Leve em sua fantasia e denso na potência dos lugares que alcança.Alice através do espelho é um convite a atravessarmos a membrana do mediar, ora com o mundo exterior, ora conosco.Encontrar a loucura do chapeleiro e encontrar a própria essência irreverente de não aceitar o mundo do seculo XIX sem espaço social para o feminino.Salvar o  louco que há dentro de si é não ceder as diretrizes formatadas de um tempo sem espaço para o sonho, sem espaço para o diferente,Nos dias atuais é ousar sair dos esteriótipos sociais e ousar a emancipação de nossa essência ao criar espaços inéditos.Alice e Chapeleiro são feitos da mesma matéria, um alimenta o outro numa aventura que desloca a origem do tempo e nos convida e repensar que o impossível não existe.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Pela potência infinita do instante,a origem ocupa seu verdadeiro lugar.Sem entender, o espaço ofusca ruídos e resistências se dissipam face a beleza do movimento.Somos sensíveis,somos pulsantes na precisão de sermos vivos, na condição de estarmos inteiros.A imagem aos poucos  perde sua importância e a poesia encanta pelo alcance de suas notas.Compartilhando o amanhecer da verdade,numa aquarela de sentidos que renascem da emancipação sutil de cores vibrantes,que ao passar do tempo ecoam suave nos confins dos dias.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Desassossego


No instante do desassossego,o real cede espaço a potência do infinito.Nos confins de lugares não revelados,ouço timidamente o esboçar de uma voz conhecida.Pelo espaço, origens se entrelaçam na precisão de serem meio.Nos caminhos compartilhados do essencial,a resistência do comum cumpre sua função.Mas pelas frestas do entardecer,a leveza da verdade pertuba a ordem.O que trará o eu a superfície?O tempo perde sua grandeza e o instante agiganta pela sensibilidade aprisionante dos sentidos.Na fragilidade da razão erguida,o descaso se apropria do lugar.É tempo de nascer.