sábado, 22 de fevereiro de 2020

CASA


Porque nossas estruturas são feitas de água. 

Na escuta do ambiente, 

nos afetamos com ruídos finos:  

ausências, lacunas, memórias, silêncios e todos os barulhos  

que venham aguçar a escuta do coração atento. 

 

Na prontidão da emoção que cria pontes e religa palavras, 

na arte de dizer o indizível. 

As vezes nossas palavras são ouvidas,  

as vezes viram poemas que se misturam a tantos outros  

arquivados na garganta da web. 

silêncio se faz voz no universo das metáforas 

pelos desenhos das imagens que pulam do papel, 

na visão daqueles que se permitem sentir.  

 

Sentir a ausência daquilo que um dia foi e não será mais,  

ou quem sabe venha a ser de um jeito diferente.  

 

A casa é a testemunha dos ausentes. 

 

Ela fala pelos que um dia estiveram aqui. 

Esperando na utopia silenciosa que voltem a ocupar seus espaços.  

ou recrie espaços com as estruturas que foram fiéis.  


A minha estrutura é o afeto. 

Ora silencioso, ora extrovertido, na construção de castelos de ar. 

A viga de concreto é a arte. 

Arte do encontro na complexidade da vida. 

Na preciosidade dos instantes,  

momentos de beleza na estética dos acontecimentos. 

Repertório de memória viva guardados no tecido do corpo.  

 

Artesã de si na engenhosidade do eu 

Que se apresenta a todo momento como se fosse a primeira vez. 

A primeira vez desestruturante no desafio do agora. 

O agora nos desafia na cadência da consciência dos ciclos. 

Somos memória, e ousamos ser estrutura, 

que não se desintegra com a consciência do vazio perturbador. 

O amor preenche o espaço interno, que ele se expanda a ponto de afetar a todos. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Eu sempre soube que esse lugar era um grande doce, não doce branco que escurece os dentes e rouba energia.Mas doce que acolhe e energiza na medida certa para os primeiros vôos.Daqui de ontem, no recorte mediano do percurso que ja esboça um desenho, posso avistar a trajetoria de vôos, quedas, retorno ao início, vôos longos sem lugar de chegada, vôos certeiros e com destino. Vôos curtos e tímidos.Vôos altos e baixos. Vôos com e sem comunicação. Mas vôos. Sempre vôos.O esticar do corpo no movimento afirmativo da vida.Guiar na expectativa de enriquecer repertório de escrita e escuta de si e do mundo. Doce de água na limpeza das feridas de criança que corre pra pegar a bola, que cai e volta pra bicicleta, que não quer ir pra escola, que pisa descalço na terra,que se machuca nas engenhocas de sempre  "- Nao vai se machucar, menino!!!" Grande doce, outrora pequeno, mas sempre cabendo mais um.Uma.E tudo era festa, e tudo era vida, e tudo era doce na partilha de sorvete feito em casa em tabulheiro de colher.Em praias, Mc Donald, cinema Cisne ou mercado de final de semana. Tudo era doce e virava doce no cotidiano de relações que se fortaleciam pra além dos muros daqui. Ali na esquina, entravamos em contato com mundo, as vezes feio.As vezes inegociável.Mas o doce não era um lugar fixo.Era à espera de sábado a noite pelo som do motor que me ensinou a contar o tempo antes do relogio. É o som da vida que se faz presente no barulho que anuncia a hora de ir pra escola e a hora de brincar.É  Cronus,estruturante nos ensinamentos de tempo e espaço.É Cronus na aceleração do tempo de chegar e sair. E ontem foi tempo de chegar, mais uma vez. Mas dessa vez foi diferente,a agua doce tinha sabor de consciencia. Os vôos de hoje foram guiados pelo principio do feminino, por ora em direção a si, em camadas ainda desconhecidas, submersas, mas não mais escurecidas pelo medo.E do caleidoscópio de vivências um misto de paz e gratidão.Um silêncio molhado de afirmativa que o lugar dos doces é construção plural no infinito preciso  do instante do nós. Dadiva do encontro que se perpetua na escolha de quem fomos e quem somos. E certamente do que seremos.O tempo se curva ao milagre do amor na dinâmica da vida. Somos vôos e somos casa. Somos casa que impulsiona vôos.Nossa conexão se fez e se fará em qualquer circunstância.O tempo do medo se dissipa nas águas limpas que se movimentam no caminhar de todos. É escolha diária.É sim ao eu e ao nós. É escolha do hoje sempre. A casa dos doces se expande na pulsão uterina de vida, no universo por ora chamado de família.

sábado, 28 de dezembro de 2019

É de dentro que te vejo.
É da profundidade
que cotidianamente tentava emergir
que ainda te olho nos olhos.
Fugindo de si,
olhando pro lado,
saindo de cena,
buscando atalhos,
reinventando-se na utilidade da correria dos que não vêem.
Eu te vejo.
Em superfícies de anestesias,
ritos de passagens, escolhas impulsivas, atos falhos,pés molhados,
na correnteza que não te banha.
Eu te vejo.
Em danças de roda, cantigas de ninar, entradas e saídas, noites a vagar,
ruas sem saida, casa que vira lar,
colo de criança,
silêncio que ainda não quer tocar.
Eu te vejo.
Na perspectiva que te assombra,
no ângulo que desconhece,
abaixo dos tropicos,
nos magmas e oceanos.
Eu ainda te vejo.
E sigo sem esperar
que um dia se veja também.

sábado, 14 de setembro de 2019

Andar na mão de si. Ouvir a respiração do tempo.Tempo de pausar e
tempo de seguir. Seguir pra dentro de si. Útero mãe de nós.
Ouço sua voz na dança de contemplar tempo.Vento forte no semblante que pesa.Reza.Na tentativa de ouvir Deus,na tentativa de ouvir o silencio do mundo.Ouvir as estações do tempo antes do verbo.Aquieta-se no auto acolhimento, sentimento preso na garganta que irrita tempo.Vento forte que sopra pra longe. Longe de si, abismo do nós.Horizonte de sois separado pelas galaxias de medo.Distancia alem de si, pra fora da janela do eu, não há vista que permita ver.Sente, ouve no canto das origens, o silencio da gente.Sente. Não seja travessia além de si, acumulo de mundo, resíduo de bugigangas que obstruem vida em estado de luz. Não seja voz alem do silencio da alma que por ora quer ouvir-se. Escuta a criança que não foi.Seja o mesmo no tempo do instante. Na imaterialidade do real, diamante do agora.Ande, no ritmo do coração que limpa artérias, fluidos e memorias. Esvazia se de tudo que pesa. Ganhe espaço pra brincar com as nuvens, tocar o céu e fincar os pés na areia do seu eixo.Deixo. Deixo pra trás o peso de acertar. Quero experienciar! Quero tocar o mundo com olhos molhados e as mãos firmes. Na leveza de ser aprendiz.Atriz de si na invenção do mundo.Mundo feito de cheiros, espaço e ar. Mundo feito de danças, cantos e movimento. Mundo feito de encontros e desencontros. Mas acima de tudo de tempo que caminha junto, no compasso do silencio.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Pq o fim é  o começo. Pq o sorriso, aquele sorriso refletido na ambiência de sermos descoberta incerta no risco, na duvida e nos fios submersos  de conexões que se materializam na vida e na morte de ser outro, se perde na esquina da vaidade de enterder se por ora certo. É bem certo perder a si e achar um mundo do tamanho de suas certezas.Rasga seus cadernos, suas musicas, seus escritos, seus gestos inacabados na tentativa de fazer signo etereo que responde alma e debruça na companhia de uma na janela do lado de fora de seu eu. Como ser nós se perde novamente a si na imagem turva que embaralha seu rosto nas aguas rasas de uma multidão que não o reconhece pelo seu nome? Será João, José, Benicio, Deocleciano na estapafurdia tentativa de classificar o inclassificável. Não importa agora. Nada importa mais.Perdeste as horas, os minutos, as frações sensíveis dos segundos optando pelo lado oposto de tudo que pela eternidade intui vida.Corre feito crianca que tenta alcançar abrigo na sentinela de roteiro pre escrito e enredo conhecido.Cala- se novamente na inquietude que grita por tudo que pulsa e ofusca o sol na certeza de outras galaxias.Alcanca o mundo que só hoje é teu abrigo na entrega de não se sentir só.Sozinho, finge tão bem que esquece que é um desconhecido.

sábado, 1 de junho de 2019

Mãe- palavra forte, arquetipo de autoridade e afeto. Cura pela presença. Escuta das dores do mundo.Mundo que acontece dentro de si. Matéria de vida que ganha limitações no corpo que irrompe pele. Sangue que pulsa no tic tac de sua correria. Frio na alma, dor, riso farto. Mãe, pq vc nao esta aqui? Mãe matriarca dos afetos nos repertorios de traumas e alegrias. Fria, na estrutura proposital de nos tornar fortes.Morte e vida no ritmo de seu olhar. Mar, que acalma e causa turbulências no existir par.Para sempre serei seu par. Partir na dor de voltar. Vem cá.
  • O mundo anda carente de mães "nao faz isso menino, me da um abraco, cadê seu caderno? , estuda, o que voce quer da vida, ta bom eu deixo, vou te botar de castigo!!!!"O mundo precisa de mães! Vida que corre no fluxo da carência. Paciência. Somos todos mães na tarefa utopica de cuidar, sem garantias de salvar, transcender, no tempo cirurgico do nascer.E que nasçam, que a gente nasça sempre, gente de todas as idades, homens, mulheres, crianças e anciãos.E que as mães cresçam em nós.

Mães

Mãe- palavra forte, arquetipo de autoridade e afeto. 
Cura pela presença. 
 Escuta das dores do mundo
.Mundo que acontece dentro de si. 
Matéria de vida que ganha limitações no corpo que irrompe pele.
 Sangue que pulsa no tic tac de sua correria.
 Frio na alma, dor, riso farto. 

Mãe, pq vc nao esta aqui?

 Mãe matriarca dos afetos nos repertorios de traumas e alegrias. 
Fria, na estrutura proposital de nos tornar fortes.
Morte e vida no ritmo de seu olhar. 
Mar, que acalma e causa turbulências no existir par
.Para sempre serei seu par. Partir na dor de voltar. Vem cá.
O mundo anda carente de mães "nao faz isso menino, me da um abraco, cadê seu caderno? ,
 estuda, o que voce quer da vida, ta bom eu deixo, vou te botar de castigo!!!!
"O mundo precisa de mães!
 Vida que corre no fluxo da carência. Paciência. 
Somos todos mães na tarefa utopica de cuidar, sem garantias de salvar, 
transcender, no tempo cirurgico do nascer
.E que nasçam, que a gente nasça sempre, gente de todas as idades, homens, mulheres, crianças e anciãos.
E que as mães cresçam em nós.