segunda-feira, 13 de junho de 2016

Amar,verbo infinito



Conforme disse o poeta nascemos para o encontro com o outro,amando e respeitando na sua simples existência.E permitir essa existência é permitir que o outro seja diferente, da mesma matéria ou completamente estranho. É a premissa de entendermos que quanto mais for o que queres mais sera o que queria,disse a poesia ao longe.É esforçar-se cotidianamente para decifrar esse enigma que nos faz mover  e ouvir .E ao ouvir encontra-lo em cores vibrantes,expansão do presente e músicas que não tem fim.É quando no encontro de dois universos a linguagem se rende a cumplicidade do silencio. É debruçar no renascimento diário de sermos outros, na precisão de ousarmos ser verdade.Somente sendo verdade, estaremos na prontidão dos encontros conosco e com o outro.E entender-se tempo diferente e alegrar-se quando respiramos no mesmo ritmo.É entender-se mais poesia e menos prosa. É conflito na medida de sermos construção. Entrega na dor de estarmos vivos.Amor no entendimento de ser recomeco sempre.É alegria na intensidade de sermos vida.

Somos artistas,sim!

Assumir-se artista é ser força sensível num mundo embrutecido por roteiros pobres de existência. É ousar sair do território estatístico de certezas e aventurar-se na reinvenção de ser verdade. É contribuir imaterialmente com a construção de tudo,tudo,tudo que compõe o real.É tocar o outro num contexto de incomunicabilidade naturalizado.E a dádiva de ser vida, possibilidade de ser humano,condição de ser inteiro.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Alice Através do Espelho



"Chapeleiro:Você acredita em mim?
Alice:Eu sempre acreditei em você.
Chapeleiro:...e eu a encontraria em qualquer lugar."

Alice através do espelho mostra Alice retornando a sua cidade após uma aventura de três anos como capitã do navio de seu falecido pai e encontrando resistências para dar continuidade as suas atividades.Alice novamente é convidada a entrar no mundo lúdico pela lagarta azul e se depara com todos os personagens do primeiro filme.O conflito nesse filme gira em torno da missão que é atribuída a Alice:salvar o Chapeleiro.É justamente nesse momento que somos convidados a vivenciar  uma aventura cheia de símbolos e significados relativos a identidade,memória,fé,relações,existência e dialogo com o tempo.Alice diante da dificuldade, novamente submerge a lugares desconhecidos e se depara com o tempo.Tempo que liga com suas engrenagens cíclicas e fios invisíveis todos os personagens da historia.Tempo que revisitado não se altera mas abre a um dialogo que na  reinvenção nos coloca diante do milagre de sermos agentes de nossas vidas.O espaço é infinito e a originalidade ocupa a existência com a coragem de Alice. O afeto presente na relação de Alice e Chapeleiro é o motor de toda transformação na trajetória de ambos.Sem sombra de duvida um dos filmes mais lindos que ja vi...Leve em sua fantasia e denso na potência dos lugares que alcança.Alice através do espelho é um convite a atravessarmos a membrana do mediar, ora com o mundo exterior, ora conosco.Encontrar a loucura do chapeleiro e encontrar a própria essência irreverente de não aceitar o mundo do seculo XIX sem espaço social para o feminino.Salvar o  louco que há dentro de si é não ceder as diretrizes formatadas de um tempo sem espaço para o sonho, sem espaço para o diferente,Nos dias atuais é ousar sair dos esteriótipos sociais e ousar a emancipação de nossa essência ao criar espaços inéditos.Alice e Chapeleiro são feitos da mesma matéria, um alimenta o outro numa aventura que desloca a origem do tempo e nos convida e repensar que o impossível não existe.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Pela potência infinita do instante,a origem ocupa seu verdadeiro lugar.Sem entender, o espaço ofusca ruídos e resistências se dissipam face a beleza do movimento.Somos sensíveis,somos pulsantes na precisão de sermos vivos, na condição de estarmos inteiros.A imagem aos poucos  perde sua importância e a poesia encanta pelo alcance de suas notas.Compartilhando o amanhecer da verdade,numa aquarela de sentidos que renascem da emancipação sutil de cores vibrantes,que ao passar do tempo ecoam suave nos confins dos dias.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Desassossego


No instante do desassossego,o real cede espaço a potência do infinito.Nos confins de lugares não revelados,ouço timidamente o esboçar de uma voz conhecida.Pelo espaço, origens se entrelaçam na precisão de serem meio.Nos caminhos compartilhados do essencial,a resistência do comum cumpre sua função.Mas pelas frestas do entardecer,a leveza da verdade pertuba a ordem.O que trará o eu a superfície?O tempo perde sua grandeza e o instante agiganta pela sensibilidade aprisionante dos sentidos.Na fragilidade da razão erguida,o descaso se apropria do lugar.É tempo de nascer.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Poesia 1 - Apresentação




Um pensador disse uma vez que a vida oscila entre prosa e poesia.
Prosa seria sobrevivência.
E poesia tudo que venha alimentar nossa alma.

De tudo, a narrativa tempo permanece tecendo suas questões,
construindo e desconstruindo alicerces tidos como imutáveis.

O amanhã esfarela como pães adormecidos e o concreto se dissipa num clique.

O que nos resta diante do incerto?

Ousaremos viver o essencial como quem toca a eternidade ou seguiremos incólumes a pulsação da vida? 

Esta, segue habitando na poesia!

No cotidiano e no extra cotidiano.

No silencio e na voz

Na pausa e no movimento!

Cabe a nós: VIVE-LA!


sábado, 7 de novembro de 2015

Verdade


Pelos caminhos que antecedem o essencial, em desconhecidas camadas do sentir, no amanhecer da gente, pela sincronia do desejo e vontade, na cumplicidade do encontro, tocando o território da verdade, ali...bem ali existe o eu. Eu indiscutivelmente feito de nós.
Eu que se turva em projeções equivocadas da razão comum. Eu que se mescla a ocupações ,instituições, rótulos e cargos que definitivamente não o representam. Eu perdido nos caminhos sinuosos das superfícies rasas em parafernalhas equivocadas do sobreviver. Eu sufocados por máscaras que não servem para nossos rostos. Eu limitado a definições.
Eu ávido por movimento e verdade.
Dos mundos em mim , a escolha do sentir. Pés descalços tocando o chão de sua casa no exercício diário de respirar vida. Dos mundos em nós, infinitude de lugares nos convidam a ouvir o silencio sufocado pelas vozes estridentes de nosso tempo.
 Até quando passaremos desapercebidos a tudo?
O tempo perde sua capa taciturna a medida que caminhemos na direção de nossas vozes e ousamos tocar  o cotidiano com a força sensível da verdade. Mas pela imaterialidade do real, na narrativa lúdica de feijão, arroz e poesia, pelas frestas do afeto, a vida initerruptamente nos convida a dançar.A agradável e nova melodia da canção de sempre.