sábado, 30 de junho de 2012
Fio
Na construção de ser imagem,a escolha se traduz em condição
e o caminho se dissipa
por lugares nunca visitados.
Ousaremos ir além
das engrenagens distorcidas
da existência comum?
Pela fragilidade da manhã que nasce,
sendo voz,a linguagem se espreguiça.
No horizonte sem contorno,
tenta uma pirueta
e no trapezio da vida
poesia e silêncio dialogam no ar.
Entendendo-se tempo,ultrapassam a matéria do hoje
e pela utopia da vontade preenchem o vazio,
invisível para os que não sentem.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
"AMOR" _ Adaptação do Conto de Clarice Lispector
Ainda posso lembrar a fragilidade dos ovos que ao quebrarem escorriam pelo chão do bonde naquela tarde de instabilidade.
A fragilidade daqueles ovos remetiam a fragilidade da minha própria vida.
A desordem da minha juventude não tem espaço pro meu hoje,
tenho filhos de verdade, tenho marido de verdade , tenho um lar de verdade...tenho a solidez...
Solidez que me trouxe a paz que nunca pensei encontrar.
E cotidianamente me doou no cultivo de minha estabilidade doméstica...no meu mundo de aperfeiçoamento continuo...no meu palco previsível de vida.
E me resguardo...me resguardo dos perigos das tardes de inquietação, quando os moveis respiram sem poeira diante da minha inutilidade.
Tudo esta em ordem e tudo devera permanecer em ordem,...até quando o amanhã vier e eu voltar a me dedicar a meus filhos, meu marido e meus moveis
empoeirados...
Ate a hora da inutilidade me inquietar novamente...
E aquela garota livre, com uma felicidade descontrolada,e doida tenta falar comigo, tenta me sufocar...
Foi nessa hora que sem perceber, um cego...um cego partiu a fina membrana da minha vida... mostrando assustadoramente as possibilidades de ser...
...um cego mascando chicle no ponto ...cego...no ponto...mascava chicle...sorria...sorria...
Meu coração se encheu de piedade ...a desordem transbordava ... a desordem de poder ser outra...do mundo precisar de mim....
o mal estar da minha juventude havia voltado...eu não me sentia mais segura...os ovos quebraram...eu não era mais a mesma...uma misericórdia pelo que eu desconhecia invadia meu novo mundo ...
Perdi o ponto de saltar do bonde...me perdi dentro de mim...longe das paredes da minha casa...
Ah...Casa...Cada sua paz?
Algo se quebrou...a vida se apresenta cotidianamente...o mundo é vasto, o mundo é meu...As tardes de inquietação se estendem por todo o dia...nem os moveis me tranquilizam.
A fragilidade daqueles ovos remetiam a fragilidade da minha própria vida.
A desordem da minha juventude não tem espaço pro meu hoje,
tenho filhos de verdade, tenho marido de verdade , tenho um lar de verdade...tenho a solidez...
Solidez que me trouxe a paz que nunca pensei encontrar.
E cotidianamente me doou no cultivo de minha estabilidade doméstica...no meu mundo de aperfeiçoamento continuo...no meu palco previsível de vida.
E me resguardo...me resguardo dos perigos das tardes de inquietação, quando os moveis respiram sem poeira diante da minha inutilidade.
Tudo esta em ordem e tudo devera permanecer em ordem,...até quando o amanhã vier e eu voltar a me dedicar a meus filhos, meu marido e meus moveis
empoeirados...
Ate a hora da inutilidade me inquietar novamente...
E aquela garota livre, com uma felicidade descontrolada,e doida tenta falar comigo, tenta me sufocar...
Foi nessa hora que sem perceber, um cego...um cego partiu a fina membrana da minha vida... mostrando assustadoramente as possibilidades de ser...
...um cego mascando chicle no ponto ...cego...no ponto...mascava chicle...sorria...sorria...
Meu coração se encheu de piedade ...a desordem transbordava ... a desordem de poder ser outra...do mundo precisar de mim....
o mal estar da minha juventude havia voltado...eu não me sentia mais segura...os ovos quebraram...eu não era mais a mesma...uma misericórdia pelo que eu desconhecia invadia meu novo mundo ...
Perdi o ponto de saltar do bonde...me perdi dentro de mim...longe das paredes da minha casa...
Ah...Casa...Cada sua paz?
Algo se quebrou...a vida se apresenta cotidianamente...o mundo é vasto, o mundo é meu...As tardes de inquietação se estendem por todo o dia...nem os moveis me tranquilizam.
sábado, 31 de março de 2012
Artesão da Vida

É pelo movimento de meus mares, e pela visitação ao simbolico adormecido, que inicio a busca pela materia prima de minha construção.
Construção feita de eu e mesclada indiscutivelmente com nós.
Oficio de se sentir vivo, unico em sua jornada de pulsar plenamente no caminho em direção a si e ao mundo.
Vasto mundo,vastidão de percepções adormecidas nas inutilidades de ser mais um a caminhar sem rumo em direção ao nada.Na narrativa poetica do amanhecer, o entardecer de nossas vidas nos afasta do essêncial, desatento a nossas vozes sufocadas pelo tempo.
Mas já é tempo de ouvir a voz do corpo, que se alonga tocando o céu...ganhando contorno em busca de seu equilibrio identitario,numa estetica
muitas vezes não compreendida em sua temporalidade, mas harmonica em sua sutileza de dialogar com o ar.
Rarefeito de sutilezas e percepções,o ar pesado cede espaço ao ator ,que insistentemente convida a todos a sonhar, a olhar o invisivel com olhos de criança e se aventurar na pluralidade das sensações compartilhadas desde sempre.Abrindo com as cortinas da vida, a possibilidade de todos serem, um, de todos serem varios,numa comunhão pela aquarela das vivências incolumes.
O sagrado sorri, o artesão e a vida renascem e do silencio, o gosto aflito de não se poder voltar...o caminho é o agora e o encontro tem gosto de eterno.
Para sempre

Tenho fome do tempo
Quero sentir o vento
Do tempo que se é
Na medida de ser ação
Na medida de ser hoje.
Hoje feito de ontem.
Hoje feito de amanhã.
Hoje feito de verbo.
No eu mesclado de nós
Nas vozes de mim
Sentindo o chão de nosso lar
Palco de nossas vidas
Meio que te quero vivo
Sutilileza que te quero pão
Vida que te quero arte.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Presente

Num frasco de pensamento...Poesia.
Síntese do sentir inteiramente voz.
Imagens possíveis compondo ambientes comuns,
num calidoscópio adormecido de vivências.
Ouça o pulsar da vida
pelos ouvidos dos que insistem em ver
atentamente os vestígios de ontem
e as aspirações de outro amanhecer
Bussola de meu céu,palco de minha vida
Ação pulsante fragmentada no respirar
Movimento de renascer sempre além
Fragilidade na sutileza de existir
Pelo tecer diário da magia do instante.
O amanhecer de outro eu
Pela potência estética das vivências
Compartilhamos signos,
o indizível nos convida
pela película da sensibilidade
a olhar o silêncio.
E na atenção de um instante,
sentir o palpável e seus horizontes
Dialogando com o tecer poético do cotidiano,
sempre outro, sempre o mesmo,
em sua singela existência comum.
Cotidiano

Como se o hoje não chegasse,o cotidiano se derrete nas narrativas das
vivências...
Como se o hoje não chegasse, o amanhecer se traduz em poente na aspereza
das palavras sem som...
Como encontrar o passo, no compasso das esperas sem fim.Como traduzi-se em
vontade, pelos olhares cansados nas ruas sem caminho.
Por onde anda você, peso poético, que traduz a leveza de nossa
existência?
Por onde anda a melodia sem fim de constituir-se vivo?
Estrutura de ar que constroi vidas,espinha dorsal da criação, suspensa na
nuvem que suporta o mundo...De nós e de outros...que há tempos não se ouve...
Linguagem desnecessaria na mediacao do silêncio,infinito em suas vozes de sempre.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Distância

A distância entre mim e eu, não tem nada a ver com tempo...não tem nada a ver com a memória, nem com o fuso horário das vivências, desencontradas pelos caminhos inconscientes do nós e perdidos no horizonte
de algodão e vento.
A distância entre mim e eu se confundi com o nascente e o poente de um pensamento sem escolha. Com impulso e ação, inação de não se permitir pleno pela fragilidade de errar. Medo de sustentar-se caminho, na
mobilidade fluida de não se encerrar.Revisitando-se relicário
interminável de solidez, lugar imóvel, resquício de vida...lógica de ser contorno, olhar de não ser possibilidade.
Na loucura da incoerência, o que nos sustenta no ar rarefeito de afeto e
cumplicidade? O que nos trará a superfície da vontade e do desejo?
Viveremos o essencial como quem toca a eternidade?
O espaço do agora se confunde com o ontem e este é superado sem ao menos
lembrarmos de quem um dia fomos. Fomos um ou fomos a distância
interminável entre o nosso infinito eu?
Das respostas, a teia interminável do cotidiano tece suas questões... se ver, precisamos olhar, se olhar precisamos sentir, se sentir precisamos
viver...Das respostas, a teia interminável do cotidiano permanece tecendo suas questões.
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