domingo, 24 de maio de 2020

Enquanto o mundo desaba.
A vida ainda pulsa
Enquanto a fome volta a assombrar.
A vida pulsa
Enquanto a peste invade a cena.
A vida pulsa
Enquanto mães negras choram.
A vida pulsa
Enquanto as pessoas defendem o obvio.
A vida pulsa

Aqui dentro a vida continua.
Aqui dentro a vida continua sendo afetada pelo mundo.
Sub-mundo que tem sido vida em estado de morte.

Muda.
Muda sua sorte pela força dos moinhos
do nós.
Nas casas que reconhecem suas.
Nuas.8
Ruas que abrem espaço pro RECRIAR.
Saltar no essencial de si e emergir.
Reza.
Pesa sua vida na medida do milagre de ser.

Voz não mais silenciada
Corpo não mais subjugado
Vida não mais negociada.

Reexistindo pão em em estado de poesia.












quarta-feira, 6 de maio de 2020

Há quem diga que tempo é dinheiro.Há quem diga que tempo é remédio. Hoje prefiro o tempo instante.Agora santuário de memórias. Agora na estrada da existência larga do que virá. Mas precisamente agora do agora mesmo. Imensidão de pés fincados no espaço de ser. Sendo outros e o mesmo no jogo do tempo.Do hoje ainda avisto o jovem com suas peraltices narradas em voz feminina: -"Olha que vou ai, hein menino"!
Voz de autoridade e acolhimento na medida certa do amor.Voz que constroi memórias que ficam para sempre.
Mas como dialogar com o tempo e ainda assim caminhar levemente? Como entender parte daquele que nós devora a cada minuto que passa? Pelo raio que recorta com precisão o momento, pela submersão aos submundos de si, pela sensibilidade de emergir dos mares seus. O taciturno cronos entra em deslocamento e sua origem perde sua base ao sermos agentes de nós mesmo no instante do sim.Sim a vida, sim aos afetos, sim ao nosso eu que se desdobra em presente, passado e futuro.
Que o tempo seja seu aliado na esteira da vida. Que sua vida seja repleta de bons tempos: hoje e sempre Que seu tempo seja composto.Seguimos juntos!
DE Maos dadas, sempre!
Feliz aniversario





domingo, 5 de abril de 2020

Mais um texto escrito a quatro mãos.Da prosa à poesia

Do corona virus ao pos contemporâneo: da prosa cotidiana a poesia.

Apertem os cintos! O Piloto sumiu. Ou talvez, ele nunca tenha estado lá. Em tempos de pandemia, fora os inescapáveis dados sobre mortalidade e curvas de crescimento de contaminação, onde não se sabe direito nem quando ou como refrear a imensa onda casos que pululam globo afora, uma das maiores justificativas de pânico parece ser a incerteza sobre quando retornaremos ao universo conhecido de nossas certezas. A verdade, acachapante, é a de que nunca ouve Kansas, Dorothy e que a estrada dos tijolos amarelos certamente não conduziria, em uma visão filosófica, a lugar algum. E se houve na humanidade um momento em que a sensação geral é a de não lugar, talvez seja o presente momento. Por todo o lado enquanto Estados (a maioria deles) e instituições tentam construir soluções para a crescente contaminação e mortalidade, tendo o tempo como algoz, indivíduos enfrentam dilemas igualmente urgentes, como a incerteza sobre salários, negócios, distribuição de alimentos, políticas de contenção, número de mortes, possibilidade de contaminação, regras e regras e mais rege as sobre práticas cotidianas antes tão corriqueiras, como as compras que se traz da rua, ou o simples ato de jogar o lixo fora. Em um cenário distópico, em que a única realidade possível é a de que não há garantias, como compreender o espaço e tempo nos termos que fomos ensinados a conceber desde há muito, enquanto constituímos nossos imaginários de coletividade, produção e subsistência? Como contar o tempo, se o intervalo entre o tempo do trabalho e o tempo do lazer se permeiam e o espaço público e privado tensionam as relações mais formais? Por todo lugar, salas de aula, lojas, serviços, migram agora definitivamente para o mundo virtual e já há muitas vozes engrossando o coro do: “quando teremos nossa antiga vida de volta”? A dura realidade que alguns já anteveem é que jamais retornaremos ao estado anterior. E como fazer com tudo que aprendemos sobre o mundo, as relações, as dimensões espaço-temporais, as culturas que desenvolvemos por centenas de anos, até culminarem no intenso fluxo de pessoas e bens ao redor de um globo cada vez mais conectado. Mais seria mesmo assim tão conectado? Ou estaríamos de alguma forma assimilando o espelho em vez de Alice, ao identificarmos nas imagens com as quais convivíamos diariamente uma parte representativa da vida, para quem recorríamos em busca de afeto, legitimação e segurança, em mídias e redes dia afora, sons, imagens e afeto consolidando nossos corpos e mentes? E então, em um piscar de olhos, um intenso silêncio impõe-se ao caos e vamos pouco a pouco nos apropriando de nossa solidão. Ao redor não mais os 500, 600 ou mesmo milhares de seguidores de antes, a extensa agenda de contatos, os programas diversos, vão pouco a pouco apagando como monitores sendo pouco a pouco desligados. E o que fica é o universo interior de dores, inseguranças e, felizmente, essência. O que faremos quando só o que ouvirmos for nossa própria voz? Em que lugar pensar os fluxos contemporâneos de afetos, cultura e sociabilidades, quando não pudermos mais interagir como antes? De que modo as mídias sustentarão as práticas sociais em um universo onde o próprio social vai sendo pouco a pouco reinventado? Nesse cenário onde o tempo se impõe ao espaço e o público e o privado se mesclam já não é mais possível pensar apenas no contemporâneo. Essa enorme colcha de retalhos onde a política e a economia se mesclam em narrativas múltiplas, criando outras formas identitarias, vieses, nuances até o ponto de se fundirem em uma liberdade sem precedentes ou a mais fundamentalista cultura de auto-extinção, cujo exemplo pode ser o que melhor aprouver: forças armadas, exércitos paralelos, infinitos mercados virtuais e distanciamento social agravado pela desigualdade de condições de sobrevivência que garantem a cada um seu lugar no globo, enquanto fome, doença e desesperança moldam-se ao cenário cotidiano e não há manchetes que deem conta de tocar os corações. Tudo seguiu enquanto a modernidade ordenava corpos e ideias, tempo e espaço, normatizando a poesia e formatando vontades, além de invisibilizar diferenças de dores, Terra afora. Até que tudo ruiu e a pequeneza de nosso estado de certezas era tal que não foi necessário mais do que alguns poucos fragmentos de vida para romper a paz fictícia que tanto buscamos. E em meio ao mar de corpos que se acumulam em cada cidade, ao terror e à desesperança, em meio ao constante sobressalto do peito de cada um, a vida de todos os dias racha ao meio e os relógios da modernidade paralisam os ponteiros em um instante interminável, onde atônitos, corremos às janelas para observar o crescente silêncio, como se pela primeira vez o tivéssemos ouvido. Como se as mortes e o sangue das esquinas, a violação de mulheres e crianças, os corpos crivados de balas, o caos e o desespero nunca nos tivessem atingindo. E as epidemias, constantes, viessem tocar apenas as vidas alheias. Pois hoje choramos todos, a terrível constatação de que nunca estivemos no controle, de que o risco sempre esteve à esquina, enquanto não entendíamos o que afinal queria dizer “comum”. E enquanto ambos os monumentos da modernidade e do contemporâneo racham juntos, levando pedaços de concreto e metal ao centro da praça, que permanece vazia, ainda há um pôr do sol que nos convida a escutar o silencio dentro de nós e redescobrir a poesia da vida enquanto há tempo. Uma verdade transparece, por entre os fragmentos de luz que nos chegam da janela: Sempre fomos um. Mas por muitas vezes nos perdemos em projeções equivocadas do eu. A sobrevivência sempre foi coletiva. Nos confundimos pelos caminhos solitários de ser imagem além do corpo. Pulsação fora da rotação de si e do mundo. Roda gigante na inquietação por controle de tudo que avidamente colocávamos para dentro. Ávidos num vazio que não diminuía a medida que inutilmente tentávamos esconder. A dor sempre existiu. Mas por ora era silenciada pelo barulho de outras narrativas. Eram tantas prosas, caminhos, fluxos e fugas num caleidoscópio de existência rasa. Corríamos na contramão do fluxo do mundo. Esbarrávamos em nós sem pedir licença.  Na crença de estarmos maior. Qual a medida certa de nossa existência? Qual o passo no compasso da vida comum? Que linguagem trará nosso entendimento? Somos respostas aprendendo a formular perguntas. Somos dois tentando ser um. Somos vida em estado de pausa. Na dança de sermos apenas nós.  Sós. Solares numa manhã que ainda não desabrochou no horizonte. O horizonte não está lá fora. Ele sempre esteve aqui. Ele irrompe de si na aurora austral de cada um em suas casas. Ele gera luz em estado de poesia e percorre caminhos inéditos na nossa aprendizagem do aprender. Pois é preciso reaprender a aprender o obvio. O simples nos convoca como enigma de tudo que fomos. Somos. E seremos. Outros na esteira de um novo olhar.
por Debora Restum eTatiane Mendes

de: http://artesadoar.blogspot.com/
e
https://magiaerazao.blogspot.com/2020/04/do-corona-virus-ao-pos-contemporaneo-da.html

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Sempre fomos um.
Mas por muitas vezes nos perdíamos em projeções equivocadas do eu.
Sempre fomos um.
Mas por muitas vezes esqueciamos que a sobrevivência era coletiva.

Nos confundimos pelos caminhos solitários de ser imagem além do corpo.
Pulsação fora da rotação de si e do mundo. Roda gigante na inquietação por controle de tudo que avidamente colocavamos pra dentro.
Num vazio que não diminuia,
a medida que inutilmente tentavamos esconder.

A dor sempre existiu.
Mas por ora era silenciada pelo barulho de outras narrativas.
Eram tantas prosas, caminhos, fluxos e fugas num caleidoscópio de existência rasa.
Corriamos na contramão do mundo.
Esbarravamos em nós sem pedir licença.
Na crença de estarmos maior.

Qual a medida certa de nossa existencia?Qual o passo no compasso da vida comum? Que linguagem trará nosso entendimento?

Somos respostas aprendendo a formular perguntas.
Somos dois tentando ser um.
Somos vida em estado de pausa.

Na dança de sermos apenas nós.
Sós.
Solares numa manhã que ainda não desabrochou no horizonte.
O horizonte não esta lá fora.
Ele sempre esteve aqui.
Ele irrompe de si na aurora de cada um em suas casas.
Ele gera luz em estado de poesia e percorre caminhos inéditos na nossa aprendizagem do aprender.

Pois é  preciso reaprender a aprender o obvio.
O simples nos convoca como enigma de tudo que fomos.
Somos.
E seremos.
Outros na esteira de um novo olhar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

De fevereiro de 2018 ( peguei das lembranças do facebook)

Ouvir os fluxos do agora, ler o silêncio de alguém, ser tocado pela história que não é sua mas que no fundo também é, pq
sempre é.Somos coletivo brincando de ser individual.Somos um, brincando de ser dois.Somos paredes impenetraveis pela
vontade de controlar o que nunca esteve em nossas mãos.Para que?Para que catalogar vivencias rasas em scripts
compartilhados na web da antiguidade de sempre.Para que ser vencedor, ou antivencedor?Para que a busca desenfreada pela
vontade de consumir um mundo que ja habita em nós.Que os atravessamentos de sempre não nos angustiem, mas que permitam
entender meu lugar.Lugar de passagem, lugar de chegada e de saida, lugar de meio, de entradas e travessias na inquietude
de nunca chegar.Mas chegamos sempre, chegamos no entre nós, na construção das estrela cadentes de universos e galaxias que
nascem todos os dias.Desconhecemos a grandeza do instante e almejamos a imensidão do que esta por vir.Nada virá e tudo
sempre estará a medida que estendamos nossa mão pra tocar alem de si na infinitude de dentro e de fora.A respiração do
mundo é a nossa respiração, ritmo que acelera e acalma a medida que caminhemos com passos firmes e a cabeca nas nuvens, a
medida que dançamos juntos na beleza da existência reinventada de feijão, arroz e poesia.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

CASA


Porque nossas estruturas são feitas de água. 

Na escuta do ambiente, 

nos afetamos com ruídos finos:  

ausências, lacunas, memórias, silêncios e todos os barulhos  

que venham aguçar a escuta do coração atento. 

 

Na prontidão da emoção que cria pontes e religa palavras, 

na arte de dizer o indizível. 

As vezes nossas palavras são ouvidas,  

as vezes viram poemas que se misturam a tantos outros  

arquivados na garganta da web. 

silêncio se faz voz no universo das metáforas 

pelos desenhos das imagens que pulam do papel, 

na visão daqueles que se permitem sentir.  

 

Sentir a ausência daquilo que um dia foi e não será mais,  

ou quem sabe venha a ser de um jeito diferente.  

 

A casa é a testemunha dos ausentes. 

 

Ela fala pelos que um dia estiveram aqui. 

Esperando na utopia silenciosa que voltem a ocupar seus espaços.  

ou recrie espaços com as estruturas que foram fiéis.  


A minha estrutura é o afeto. 

Ora silencioso, ora extrovertido, na construção de castelos de ar. 

A viga de concreto é a arte. 

Arte do encontro na complexidade da vida. 

Na preciosidade dos instantes,  

momentos de beleza na estética dos acontecimentos. 

Repertório de memória viva guardados no tecido do corpo.  

 

Artesã de si na engenhosidade do eu 

Que se apresenta a todo momento como se fosse a primeira vez. 

A primeira vez desestruturante no desafio do agora. 

O agora nos desafia na cadência da consciência dos ciclos. 

Somos memória, e ousamos ser estrutura, 

que não se desintegra com a consciência do vazio perturbador. 

O amor preenche o espaço interno, que ele se expanda a ponto de afetar a todos. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Eu sempre soube que esse lugar era um grande doce, não doce branco que escurece os dentes e rouba energia.Mas doce que acolhe e energiza na medida certa para os primeiros vôos.Daqui de ontem, no recorte mediano do percurso que ja esboça um desenho, posso avistar a trajetoria de vôos, quedas, retorno ao início, vôos longos sem lugar de chegada, vôos certeiros e com destino. Vôos curtos e tímidos.Vôos altos e baixos. Vôos com e sem comunicação. Mas vôos. Sempre vôos.O esticar do corpo no movimento afirmativo da vida.Guiar na expectativa de enriquecer repertório de escrita e escuta de si e do mundo. Doce de água na limpeza das feridas de criança que corre pra pegar a bola, que cai e volta pra bicicleta, que não quer ir pra escola, que pisa descalço na terra,que se machuca nas engenhocas de sempre  "- Nao vai se machucar, menino!!!" Grande doce, outrora pequeno, mas sempre cabendo mais um.Uma.E tudo era festa, e tudo era vida, e tudo era doce na partilha de sorvete feito em casa em tabulheiro de colher.Em praias, Mc Donald, cinema Cisne ou mercado de final de semana. Tudo era doce e virava doce no cotidiano de relações que se fortaleciam pra além dos muros daqui. Ali na esquina, entravamos em contato com mundo, as vezes feio.As vezes inegociável.Mas o doce não era um lugar fixo.Era à espera de sábado a noite pelo som do motor que me ensinou a contar o tempo antes do relogio. É o som da vida que se faz presente no barulho que anuncia a hora de ir pra escola e a hora de brincar.É  Cronus,estruturante nos ensinamentos de tempo e espaço.É Cronus na aceleração do tempo de chegar e sair. E ontem foi tempo de chegar, mais uma vez. Mas dessa vez foi diferente,a agua doce tinha sabor de consciencia. Os vôos de hoje foram guiados pelo principio do feminino, por ora em direção a si, em camadas ainda desconhecidas, submersas, mas não mais escurecidas pelo medo.E do caleidoscópio de vivências um misto de paz e gratidão.Um silêncio molhado de afirmativa que o lugar dos doces é construção plural no infinito preciso  do instante do nós. Dadiva do encontro que se perpetua na escolha de quem fomos e quem somos. E certamente do que seremos.O tempo se curva ao milagre do amor na dinâmica da vida. Somos vôos e somos casa. Somos casa que impulsiona vôos.Nossa conexão se fez e se fará em qualquer circunstância.O tempo do medo se dissipa nas águas limpas que se movimentam no caminhar de todos. É escolha diária.É sim ao eu e ao nós. É escolha do hoje sempre. A casa dos doces se expande na pulsão uterina de vida, no universo por ora chamado de família.